A construção do samba


Autor: Jorge Caldeira

Lançamento: 2007

Nº de páginas: 224

Formato:
14 x 21 cm

ISBN: 978-85-60432-03-5

Preço: R$ 48,00

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A construção do samba teve início quando um grupo de músicos ligados às tradições se juntou a um vendedor tcheco e alguns cantores de circo para criar um gênero musical próprio. Um gênero pioneiro, moldado antes mesmo do jazz americano. O livro escrito por Jorge Caldeira percorre o caminho que vai das rodas de samba ao universo do disco e das rádios, analisando essa trajetória, que envolvia adaptações musicais importantes e, claro, polêmicas entre os compositores.

Tudo começa em 1917 – data da gravação de "Pelo telefone", primeira canção batizada de samba – e depois percorre os anos seguintes até 1939. Nesse curto período, de pouco mais de duas décadas, o samba deixou o ambiente dos terreiros e foi construído até atingir um público do tamanho do Brasil. A música popular brasileira, como a conhecemos hoje, foi totalmente moldada nessa época. O cenário dessa história era a cidade do Rio de Janeiro e seus personagens principais são conhecidos: Donga, Sinhô, Pixinguinha, Ismael Silva etc. Foram eles os responsáveis pela construção do samba. Noel Rosa completou a obra, criando a figura do compositor popular nos moldes atuais.

Isso fica evidente no segundo texto do livro, Noel Rosa, de costas para o mar. Trata-se de uma biografia lançada originalmente por Caldeira em 1982, mas que esteve esgotada nas livrarias por muitos anos. Noel emerge dessa narrativa como o primeiro compositor totalmente moderno da música popular, o primeiro que não saiu do "colégio" do morro, num momento em que o samba desceu em direção à cidade e aos ouvintes.

A construção do samba traz ainda: notas biográficas dos 58 principais personagens citados (de músicos como Eduardo das Neves e Bahiano a personagens como Laurindo Leal, o chefe da polícia de "Pelo telefone", e Ciata, uma das famosas "tias baianas" do Rio de Janeiro, na passagem do século XIX para o XX), um índice onomástico, uma bibliografia e uma detalhada iconografia, resultado de pesquisa minuciosa (ao todo, mais de 90 imagens, entre fotos, documentos, caricaturas e material da época).

Caldeira acompanha a trajetória desses criadores geniais, antenados na tecnologia e na novidade do disco, capazes de usar o mercado como caminho para ganhar dinheiro. E mostra que os primeiros sambistas não eram músicos "autênticos" em sua exclusão social, "representantes das camadas populares", e sim modernizadores conscientes. Os dois textos que compõem este livro redesenham um quadro amplo dessa evolução e discutem a visão ossificada que liga o gênero musical a um mundo tradicional e arcaico.